É para lá que eu vou

«
Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspeto, às pontas dos dedos um objeto – é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma ideia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia – é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? Eu vos espero. É para lá que eu vou.

»

Clarice Lispector, “É para lá que eu vou”
In “Todos os Contos”. Lisboa: Relógio D’Água, 2016, p. 417.

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