Ao entrar no salão

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Eu estava ali, ou, antes, não estava ainda ali visto que ela não o sabia, e, como uma mulher que é surpreendida num trabalho de costura que esconderá quando entrarmos, estava entregue a pensamentos que nunca mostrara à minha frente. De mim – graças a esse privilégio que não dura muito e em que temos, durante o curto instante do regresso, a faculdade de assistir bruscamente à nossa própria ausência – só ali estava a testemunha, o observador, de chapéu e capa de viagem, o estranho que não é da casa, o fotógrafo que acaba de fazer um instantâneo dos lugares que não tornaremos a ver.
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Marcel Proust, “O Lado de Guermantes, Em Busca do Tempo Perdido Vol. 3”. Lisboa: Relógio D’Água, 2016, p. 124.

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