Os meus desejos tinham preparado esse prazer

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Possuir a senhora de Stermaria na ilha do Bois de Boulogne, para onde a convidara para jantar, eis o prazer que imaginava a cada minuto. Seria naturalmente destruído se jantasse nessa ilha sem a senhora de Stermaria; mas seria também muito reduzido se jantasse, mesmo com ela, noutro lugar. De resto, as atitudes com que imaginamos um prazer são anteriores à mulher, ao género de mulheres que se lhes adequam. Elas determinam-no, e ao lugar também; e por causa disso fazem ocorrer alternadamente ao nosso caprichoso pensamento uma certa mulher, um certo local, um certo quarto, de que noutras semanas teríamos desdenhado. Filhas da atitude, há mulheres que apenas se adequam à grande cama onde encontramos a paz a seu lado, e outras que, para serem acariciadas com uma intenção mais secreta, exigem as folhas ao vento, as águas pela noite, que são ligeiras e fugidias como umas e outras.
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Marcel Proust, “O Lado de Guermantes, Em Busca do Tempo Perdido Vol. 3”. Lisboa: Relógio D’Água, 2016, p. 338.

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